sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Cá estamos nós outra vez


Viagens atribuladas, encontros furtivos, palavras magoadas, sorrisos roubados, emoção, medo, sofrimento, alegria, amor, encontros e reencontros. Perdemos alguns aviões, encontramo-nos noutros aeroportos e viagens (algumas vezes sem contarmos). Esquecemo-nos de quem éramos, de com quem estávamos e encontrámo-nos, encontrávamo-nos. E um dia deixámos para trás a bagagem do passado, ele abraçou-me, recolheu-me pela mão, deu-me um beijo "a cinquenta e tal graus".


Mais uma etapa nas nossas vidas, new keys, new home;)
Quem já nos conhecia e acompanhou o início desta história de amor creio que nunca diria... mas, cá estamos nós outra vez;)



Olá
sempre apanhaste o tal comboio
eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vício da estrada
nesta outra encruzilhada.
Talvez agora a coisa dê
o passado foi à história
cá estamos nós outra vez.

Conheço a tua cara
mas não sei o teu nome
escrevo já aqui
não sei o quê arroba ponto com
eu vou-te reencontrar
noutro bar de estação
ou talvez quando perder mais um avião.

O barco vai de saída
tu estás tão bronzeada
é tão bom ver-te assim
ardendo, tão queimada.
Eu quero reencontrar-te
noutra esquina qualquer
sem saber o teu nome
se ainda és mulher
quero reconhecer-te
e beber um café
dizer-te de onde venho
e perguntar-te porquê
sorrir-te cá do fundo
e subir os degraus
eu quero dar-te um beijo
a cinquenta e tal graus
eu quero dar-te um beijo
a cinquenta e tal graus.

Sempre apanhaste o tal comboio
eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vício da estrada
nesta outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi à história
cá estamos nós outra vez
cá estamos nós outra vez...

Jorge Palma – Olá

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Edna


Edna, Edna, Edna, Edna, Edna. Já não suporto sequer ler o nome dela. Parecem cópias ininterruptas de Edna’s que vieram para me estilhaçar, para espezinhar os pedaços de cristais frágeis dos quais sou composta. E esfregar-me bem na cara o seu diploma de mestrado (enrolado num tubo de ouro reluzente) em superioridade, de mulher elitista superior a qualquer outra raça. Expõe-me a um espelho partido reflectido nos seus olhos, à sujidade que represento, as páginas em branco que eu não posso preencher, e, o vazio, a solidão com que me(o) prendou.

Queria arrancar com um garfo afiado a parte do meu coração doente e dar-lho para que ela se pudesse alimentar do último pedaço teu. Oferecer-lho numa bandeja, como ela quase fez comigo, depois de ter usado e sugado tudo, o que ainda importava, depois de ter descaradamente levado com ela um saco a transbordar dos únicos sentimentos que alguma vez ousaras dar-te ao luxo de desfrutar.

Quero libertar-me dela, mas agarra-se a mim como um carrapato, aquela imagem da cara dela, da mulher perfeita – perfeitamente perversa – e que fica ali congelada e perfeita para
sempre, s e m p r e, s e m p r e...
Tentei expulsá-la, rejeitá-la, ignorá-la, mas ela faz parte de nós. Não a quero comigo, connosco. Asfixia-me a vertigem em que entrei desde que aceitei este amor, e, até ela ~vertigem ~ carrega o seu nome, Edna.
Do teu, do meu só restam pedaços rotos, pisados, magoados. Tentativas de restauros com fita-cola do Lidl e psicologia barata fornecida com a cortesia do terapeuta surdo-mudo enviado pelo Centro de Apoio aos Doentes de alto Risco de Desespero e Agonia Total, nada tem surtido qualquer efeito.

E a aorta que liga o coração à felicidade foi secando, foi ficando enrugada, cansada e triste, foram secando os órgãos, mirraram os pulmões, quase não conseguem fornecer ar ao amor para ele conseguir respirar.
Queria poder gritar Edna, Edna, Edna, rasgar o seu nome do meu peito até ela deixar de existir. Mas não tenho forças, não tenho fôlego, e o alerta vermelho PERIGO, PERIGO, PERIGO DE MORTE é inútil, já rebentaram as baterias extra, já foram gastas há muito tempo.
Já quase me afoguei, mas rejeitei a atitude suicida de me deixar afundar em lágrimas, num último suspiro de desespero.

A tua imagem deixou de parecer real e tornas-te (uma vez mais) num sonho, numa ilusão, uma pincelada com os tons da perfeita perdição. A minha voz abandonou-me, também, e ficou apenas uma sombra dela e de mim no ar, misturada com o teu perfume.
A paisagem escurece, de repente e um lobo uiva.
Consegui soltar um último suspiro – BASTA! – antes de congelar de olhos siderados na imagem dum benjamim branco que insistia em depositar-me um lilás ao colo.
Ouviu-se o eco perpetuar esse meu último grito, BASTA!
Não aguentei viver-te, morri[te].
Ver também nesta Sequência de Contos, Margaret

Pic by territoire intime

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Certo dia 1 + 1 = 1 + 1 + 2 + ...




Quis escrevê-lo na sua pele, mas ele já estava misturado nas suas impressões digitais desde aquele primeiro toque suave dos seus dedos nas costas reveladas, dela, naquela tarde de Outono no Meco, em 2005.
Há em si uma lembrança de como tremia de nervosismo, não só desde que o viu sentado naquela mesa dum café em Campo de Ourique, onde a esperava com um ar descontraído tentando camuflar a sua ansiedade, mas desde que soube que seria inevitável encontrá-lo. E que, inevitável seria, amá-lo. Teve a uns passos dele um impulso que quase a levou a desistir, sabia que não seria um amor "fácil" e não se sabia preparada para o enfrentar.
Nervosamente tropeçou num beijo torpe na sua face e num abraço demorado que lhe dizia que ele também, há muito, a esperava.

Queria saber se ele se tinha apaixonado pela imagem que ela lhe oferecia através dos seus olhos ou se pelas imperfeições que lhe foi colocando no colo com o passar dos anos. Mas no amor existem tendencialmente mais perguntas do que respostas se colocarmos tudo numa balança ou diagrama. E essa resposta não a obteria facilmente se além da imagem que ele lhe devolvia pelas retinas em órbita ela não soubesse interpretar todas as outras manifestações não verbais.

O amor não é matemático. Não se pode dizer que 1 + 1 = 2. No máximo poder-se-á dizer que 1 + 1 = 1 + 1 + 2, mais do que um mais um é igual a dois em um...
O amor também não se pode definir como uma subtracção, pois se tentarmos subtrair um a dois só ficaria um e ao ficar apenas um o outro um seria automaticamente eliminado, até certo dia se notar que fazia falta esse mais um para chegar a dois e que já não existiria esse 1 + 1 = 1 + 1 + 2 para "chamar de" amor.
No amor a única conclusão matemática a que chego é que tudo deve ser feito de adições. Adições sob adições e não subtracções, pois se lhes quisermos subtrair algo é porque, à partida, não gostávamos exactamente desse um como era. E se assim for em vez de 1 + 1 = 1 + 1 + 2... quer-se 1 + 1 = 2 = 2 - 1 + 1 = 2...

Desde aquele rasgar do primeiro sorriso que sabia que não seria "fácil", desde que o conheceu sabia que o ia amar, que ia amar aquele um.
E agora eles são 1 + 1 = 1 + 1 + 2 + as [im]perfeições dela + as [im]perfeições dele + as [im]perfeições deles juntos que resultaram numa [des]harmonia sublime [im]perfeita.

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Am I Blue?

"It was a morning, long before dawn
Without a warning i found he was gone...
How could he do it?
Why should he do it?
He never done it before.

Am i blue?
Am i blue?
Ain't these tears, in my eyes, telling you...?
Am i blue
If each plan
With your man
Don't fell through?

There was a time
I was his only one
But now i'm
The sad and lonely one... lonely.

Was I gay
Until today?
Now he's gone, and we're through
Am I blue?"


[Billie Holiday]

I'm certainly not blue since i became into you;)

sábado, 8 de Agosto de 2009

when he's nOt here


A cama, o quarto, estas paredes parecem vazias sem ele. O ar parece ter engolido o oxigénio, os sons parecem uivar num eco chamado ao vazio. E até o dia teima em ser noite.

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Hoje nasceu a Íris


Quase 30 anos depois nasceu mais uma leoa na família da nOgS. A primeira flor da nova geração.

Íris nasceu hoje com 3,250 kg. E eu estou tão feliz que até choro feita parva!
Devo ser a tia mais tola e babada do mundo...

terça-feira, 14 de Julho de 2009

pUre dancing


Danço descalça no entardecer dos teus olhos agarrada a um ramo de rosas puras, que trago junto de um peito embriagado pelo perfume dos teus gestos.



(néctardesentimentos)