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segunda-feira, 11 de maio de 2009

redOnda


Sou redonda. Como um fruto redondo.

Mas, digam o que disserem, passem os anos que passem, serei sempre uma romântica incurável.
Independentemente do facto de ser fruto desde o nascimento até à morte.
Fui semeada, fui crescendo em forma de semente, depois rebento, flor, fruto pequenino e frágil, fruto maduro e firme, fruto sensível e mole, fruto enrugado, fruto seco, fruto podre, fruto que disse adeus a si mesmo e olá a um novo fruto.
Tudo é cíclico. Tudo é susceptível de mudar. Basta acreditar e querer. Ou esperar o curso normal da vida.
Mas eu não quero esperar, nem quero deixar de viver apaixonadamente.
Eu só quero ser feliz... sem ter que esperar por uma outra nova vida, em mim.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

clarO comO a lUz da nOite

Hoje descobri que ontem te perdeste. Perdeste-te por caminhos que não eram os meus. Perdeste-te de mim, perdeste-te de ti mesmo. Enquanto eu dormia um sono tranquilo de Bela Adormecida onde me sorrias, me amavas e isso bastava para seres feliz a meu lado.

Mas não foi com um beijo que me despertaste, nem foste tu que o fizeste, mas a tua angústia silenciosa. Chegou fria e abriu-me os olhos com uma mão negra, chamou-me e tentou despertar-me da ilusão em que vivia. E eu não queria. Eu não queria sair do meu conto de fadas. Agarrei-me à almofada como se ela me guardasse em ti, perguntei-te que fazias e vi o teu olhar inundado de tristeza e decepção, contigo mesmo ou com tudo aquilo que movias como castelos de areia.

Eu gritava em silêncio tentando agarrar a réstia de esperança que me fazia ficar em ti.
Disseste-me que já ias, com a voz trémula de que não sabia porquê que não vinhas já...
E eu esperei-te... mas não consegui voltar a adormecer e sonhar com aquele teu beijo.
quando chegaste, chegaste frio, despido, a tremer por dentro e nem o meu calor te conseguiu descongelar.

Ontem descobri-te por trás dos teus medos e angústias. Não és feliz.
E eu que pensava que partilhávamos também a felicidade, vi-te afundado na tua angústia...
Pergunto-te[me]... que devo fazer?
E tu, onde tens estado se não estiveste [aqui] onde eu pensava que eras feliz?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Histórias de uma romântica frustada – I


I

Give me, give, give your Hand


Ela só queria andar de mãos dadas com ele, e repenicá-lo de beijos enquanto caminhavam do lado A até ao lado B. Queria poder fazê-lo sem ter que racionar o acto, pensá-lo, estudá-lo, avaliar se seria adequado ou não cometê-lo naquele ou no outro momento. Queria esticar apenas o braço e trazê-lo até si e ver o seu sorriso de felicidade. Mas nos tempos que corriam – para ele – essas exageradas demonstrações de carinho guardavam-se para entre paredes, naqueles dias em que desesperadamente se sentia minimamente romântico...
Dava por ela, às vezes, a estudar cautelosamente cada movimento dos seus dedos, cada corar interior, quando sacava as mãos dos bolsos para entrelaçar os seus dedos com os dele e ele paulatinamente cruzava os braços ou guardava os dedos num daqueles pares de calças que lhe assentavam como ginjas.
Às vezes ficava tão triste que soluçava em silêncio e engolia as lágrimas antes que ele sequer as suspeitasse.
Big girls don’t cry... mas ela só queria andar de mãos dadas com ele na rua.