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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Reflexões pessoais

Quando uma porta se fecha outra/s se abre/m

É importante perceber isso... É importante sentir e entender que nunca nada é definitivo, mas que devemos alimentar um comportamento positivo face a qualquer situação. O negativismo tende a além do problema original (que muitas vezes poderá nem sequer existir) associar mais ramificações de problemas, quando o que precisamos muitas vezes é apenas não desistir, não nos iludirmos, olharmos a vida com olhos esperançosos de criança e encontrar o “tempo certo” e no dito tempo certo novos caminhos para caminhar com firmeza ao encontro dessas portas que vão surgindo e de nós mesmos. Não quero com isto dizer que deveremos passar os dias sentados à janela à espera que o sol ou a chuva nos indique se esse tempo chegou, ou debaixo de um chaparro no Alentejo a ver se passar alguma aragem fresca e algum turista à procura de dois dedos de conversa, digo apenas que ele chegará (e, na maioria das vezes quando menos se espera) e se o mundo não para por ele, porquê que tu o deverás fazer?

Apesar da chuva constante, do jogo do frio e calor lá fora que quase nos faz pensar que ainda estamos algures por fevereiro, já é maio. Este ano está a passar a correr e “dizem” que o tempo vai continuar a brincar connosco ao longo do verão.
Às vezes cheguei a pensar que o São Pedro brincava comigo, já fartinho de saber o quanto me roubam as energias e ânimos os dias curtos de inverno e a falta de luz e sol. Apostava que o desgraçado se eu decidisse ir viver para o Brasil em busca de bom tempo, muito sol e praia mandaria para lá umas nuvens demoníacas intermináveis e pedia ajuda a Zeus para rebentar algum vulcãozito lá perto.
Foi aí que lhe fiz um pireta e o mandei passear. Depois olhei para dentro de mim e vi um arco-íris brotar.

Aprendemos a viver a cada dia e cada dia nos surpreende com coisas novas, mesmo que muitas vezes estejamos muito distraídos para o notarmos; o piropo do senhor com que te cruzas na esquina, a rapariga gira dos óculos à anos 50 que aparece sem eles no metro, o jornal gratuito que todos os dias levas para casa que hoje já está esgotado, o Benfica que afinal ganhou o campeonato da liga portuguesa, o Barça que perdeu o da Europa, o trabalho em que depositavas tanta fé que se esvai com a chuva e o outro que chegou com falinhas mansas como quem não quer a coisa e afinal é caso para fé, o teu moço que te diz que se tem vindo a casar contigo ao longo destes anos e tu já não entras em pânico que te queira meter às pressas num vestido de noiva em que as ditas não consigam respirar (até porque as desgraçadas são grandes que se fartam...), o medo de perder, da solidão que já não é tão iminente. Tantas coisas, coisas, momentos, sentimentos. Tantas coisas que tenho vindo a aprender, além de me conhecer melhor e voltar a ter fé em outras que tinha perdido. Os caminhos que nos levam para bons ventos às vezes são sinuosos e... "ele há coisas assim".

Vejo nesgas de luz em portas que se entreabrem e onde muitas vezes só conseguia ver escuridão. E noutras vejo sol, muito sol. E este sem a ajuda do São Pedro ou de quaisquer deuses. Descobertas pessoais. As minhas preces foram ouvidas, porque passei a escutá-las e a depositar mais confiança em mim. É preciso olharmos calma e tranquilamente para dentro de nós e a partir de aí para o mundo exterior.
Eu depois desta observação e reflexão acho que este, é o meu caminho para ser feliz.
Um dia de cada vez.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Certo dia 1 + 1 = 1 + 1 + 2 + ...




Quis escrevê-lo na sua pele, mas ele já estava misturado nas suas impressões digitais desde aquele primeiro toque suave dos seus dedos nas costas reveladas, dela, naquela tarde de Outono no Meco, em 2005.
Há em si uma lembrança de como tremia de nervosismo, não só desde que o viu sentado naquela mesa dum café em Campo de Ourique, onde a esperava com um ar descontraído tentando camuflar a sua ansiedade, mas desde que soube que seria inevitável encontrá-lo. E que, inevitável seria, amá-lo. Teve a uns passos dele um impulso que quase a levou a desistir, sabia que não seria um amor "fácil" e não se sabia preparada para o enfrentar.
Nervosamente tropeçou num beijo torpe na sua face e num abraço demorado que lhe dizia que ele também, há muito, a esperava.

Queria saber se ele se tinha apaixonado pela imagem que ela lhe oferecia através dos seus olhos ou se pelas imperfeições que lhe foi colocando no colo com o passar dos anos. Mas no amor existem tendencialmente mais perguntas do que respostas se colocarmos tudo numa balança ou diagrama. E essa resposta não a obteria facilmente se além da imagem que ele lhe devolvia pelas retinas em órbita ela não soubesse interpretar todas as outras manifestações não verbais.

O amor não é matemático. Não se pode dizer que 1 + 1 = 2. No máximo poder-se-á dizer que 1 + 1 = 1 + 1 + 2, mais do que um mais um é igual a dois em um...
O amor também não se pode definir como uma subtracção, pois se tentarmos subtrair um a dois só ficaria um e ao ficar apenas um o outro um seria automaticamente eliminado, até certo dia se notar que fazia falta esse mais um para chegar a dois e que já não existiria esse 1 + 1 = 1 + 1 + 2 para "chamar de" amor.
No amor a única conclusão matemática a que chego é que tudo deve ser feito de adições. Adições sob adições e não subtracções, pois se lhes quisermos subtrair algo é porque, à partida, não gostávamos exactamente desse um como era. E se assim for em vez de 1 + 1 = 1 + 1 + 2... quer-se 1 + 1 = 2 = 2 - 1 + 1 = 2...

Desde aquele rasgar do primeiro sorriso que sabia que não seria "fácil", desde que o conheceu sabia que o ia amar, que ia amar aquele um.
E agora eles são 1 + 1 = 1 + 1 + 2 + as [im]perfeições dela + as [im]perfeições dele + as [im]perfeições deles juntos que resultaram numa [des]harmonia sublime [im]perfeita.